Lucas 22:31-34  “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como trigo! Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando te converteres, fortalece os teus irmãos. Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte. Mas Jesus lhe disse: Afirmo-te, Pedro, que, hoje, três vezes negarás que me conheces, antes que o galo cante.”

 Lucas 22:56-62 “Entrementes, uma criada, vendo-o assentado perto do fogo, fitando-o, disse: Este também estava com ele. Mas Pedro negava, dizendo: Mulher, não o conheço. Pouco depois, vendo-o outro, disse: Também tu és dos tais. Pedro, porém, protestava: Homem, não sou. E, tendo passado cerca de uma hora, outro afirmava, dizendo: Também este, verdadeiramente, estava com ele, porque também é galileu. Mas Pedro insistia: Homem, não compreendo o que dizes. E logo, estando ele ainda a falar, cantou o galo. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro, e Pedro se lembrou da palavra do Senhor, como lhe dissera: Hoje, três vezes me negarás, antes de cantar o galo. Então, Pedro, saindo dali, chorou amargamente.”

A queda de Pedro foi especialmente triste porque ele tinha sido fielmente avisado sobre isso. O Senhor Jesus tinha dito aos onze, “Todos vocês se escandalizarão de mim esta noite.” E então, quando Pedro declarou que ele não o faria, nosso Senhor claramente predisse sua tripla negação. Quando Jesus, após a primeira parte de sua agonia no jardim, voltou para os três discípulos especialmente favorecidos e encontrou-os dormindo, disse a Pedro: “Simão, você dorme? Não pudeste vigiar uma hora? Vigie e ore para que não entre em tentação.” Assim, Pedro sabia a qual perigo ele estava exposto, se ele não vigiasse e orasse – ele deveria ter feito isso, pois tinha sido expressamente advertido, sim, e dito que naquela mesma noite, não somente estaria em perigo, mas que ele realmente iria cair na armadilha que Satanás, o grande caçador, estava montando para ele! Após esse aviso, ele não seria como um pássaro preso em uma armadilha que não tivesse visto, mas como aquele que voa corajosamente na direção da armadilha.

Pedro caiu, revelando sua fraqueza, suas lágrimas foram amargas, mas sua restauração foi completa.

Veremos a seguir que a queda de Pedro passou por alguns estágios.

  1. Autoconfiança – Lucas 22-33 “Ele, porém, respondeu: Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte.” Quando Jesus alertou Pedro acerca do plano de Satanás, Pedro respondeu que estava pronto a ir com Ele tanto para a prisão como para a morte. Pedro subestimou a ação do inimigo e superestimou a si mesmo. Ele pôs exagerada confiança no seu próprio “eu”, e aí começou sua derrocada espiritual. Até hoje o ser humano comete esse erro do excesso de confiança que coloca em si mesmo e, por conta disso, acha que pode controlar tudo, que consegue ter a sua vida totalmente sob o seu domínio e esquece que isso acabará levando-o a um mar de decepção, pois logo perceberá a sua fragilidade em todas as áreas da sua vida.
    Precisamos entender que somos fracos e limitados. Não podemos andar escorados no bordão da autoconfiança. Precisamos mais da ajuda do alto do que a autoajuda.
  1. Indolência – Lucas 22:45 “Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos, e os achou dormindo…”

Indolente = este termo também é bastante comum como um sinônimo de quem é insensívelpreguiçosodesleixado ou negligente. Uma pessoa é descrita como indolente quando apresenta um comportamento de insensibilidade para com suas tarefas ou objetivos, não se dedicando aquilo que realiza. O mesmo Pedro que prometeu fidelidade a Cristo e a disposição de ir com ele para a prisão e a morte, agora está cativo do sono no jardim do Getsemani no auge da batalha. Faltou-lhe a percepção da gravidade do momento. Faltou-lhe vigilância espiritual. Estava entregue ao sono em vez de guerrear com Cristo contra as hostes do mal. A fraqueza espiritual de Pedro fê-lo dormir e, ao dormir, fracassou no teste da vigilância espiritual. As palavras de Pedro eram de confiança, mas suas atitudes não. Havia uma guerra espiritual que seria travada, e Pedro ao invés de se preparar “em oração”… Dormiu… É o que acontece com muitos cristãos em nossos dias, não conseguem ter vitórias em suas vidas, porque não se prepararam espiritualmente em oração, há um sono espiritual

  1. PrecipitaçãoJoão 18:10-11“Simão Pedro, que trazia uma espada, tirou-a e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando lhe a orelha direita. (O nome daquele servo era Malco.) Jesus, porém, ordenou a Pedro: “Guarde a espada! Acaso não haverei de beber o cálice que o Pai me deu? “Quando os soldados romanos, liderados por Judas Iscariotes e pelos principais sacerdotes, prenderam a Jesus, Pedro sacou sua espada e cortou a orelha do sumo sacerdote”. Sua valentia era carnal. Porque dormiu e não orou, entrou na batalha errada, com as armas erradas e a motivação errada. Pedro deu mais um passo na direção da queda. Ele deslizou mais um degrau rumo ao chão. Nossa luta não é contra carne e sangue. Precisamos lutar não com armas carnais, mas sim com armas espirituais.

Precisamos entrar nessa guerra com os olhos no céu e os joelhos no chão. Precisamos despojar-nos da autoconfiança para recebermos o socorro que vem do alto.

  1. Seguia a Jesus de longe – Lucas 22.54 “Então, prendendo Jesus, o levaram e o introduziram na casa do sumo sacerdote. Pedro seguia de longe”.

Depois que Cristo foi levado para a casa do sumo sacerdote, Pedro mergulhou nas sombras da noite e seguia a Jesus de longe. Sua valentia tornou-se covardia. Seu compromisso de ir com Jesus para a prisão e a morte foi quebrado.

Sua fidelidade incondicional ao Filho de Deus começou a enfraquecer. Não queria perder Jesus de vista, mas também não estava disposto a assumir os riscos de sua ligação com Ele. Ainda hoje há muitos crentes seguindo Jesus de longe. Ainda guardam certo temor de Deus, mas ao mesmo tempo anestesiam a consciência vivendo em práticas erradas. Dizem-se seguidores de Cristo, mas seus pés estão fincados nas sendas sinuosas que desviam do caminho da verdade. Dizem amar a Deus, mas suas atitudes e obras provam o contrário. Estão na igreja, mas ao mesmo tempo, estão no mundo. Frequentam os cultos, mas o coração está longe do Senhor. E é preciso tomar muito cuidado, pois ninguém se afasta de Jesus da noite para o dia, isso acontece lentamente, começamos a segui-Lo de longe e quando damos conta já o perdemos de vista.

Conclusão

Ao olharmos para a vida de Pedro, estamos diante do espelho. Muitas vezes somos como Pedro. Mostramos autoconfiança, não oramos, somos precipitados e, seguimos Jesus de longe. Todavia, não podemos perder o foco.

Mas Deus não desiste de nós, assim como não desistiu de Pedro.

 

Deus abençoe, Pr. Pinho.